terça-feira, 12 de junho de 2007

Sintonia com o mundo real

São 2:19h da manhã, e eu ainda tenho excitação para escrever, o dia hoje foi agitado, médico, emoções e sentimentos a flor da pele. Mas algo que precisa ser escrito, algo que não se cala dentro de mim.

Visitei um blog de um rapaz que tem distúrbio bipolar também, ele não consegue contato com seu médico e está sem receita para adquirir o estabilizador de humor, está a ponto de explodir com alguém ou alguma coisa.

Engraçado como eu me sinto da mesma forma e estando medicada, fiz um comentário lá sobre isso, eu me sinto um barril de pólvora, que a qualquer momento pode explodir. Hoje estive no médico e falamos sobre isso, essa minha irritabilidade, essa necessidade de questionar tudo, de criar provocações de debates, de criticar (construtivamente ou destrutivamente).

Percebo que o medicamento que tomo, o estabilizador de humor faz um efeito grandioso, pois não provoco mais brigas, desentendimentos sérios como antes, não envolvo mais polícia (através de boletins de ocorrência), não processo mais ninguém como antes. O que restou é da minha própria personalidade.

Os esotéricos de plantão poderão falar que é característico do meu signo, mas na verdade é um confronto entre meu conhecimento, as situações e meu autocontrole: As situações acontecem, aciona meu conhecimento que entra em atividade, mas meu autocontrole continua inerte, parece que falta pilha para ele funcionar.

Fico indignada muito fácil, falo tudo muito claramente, diretamente com os envolvidos, na linguagem popular, (reparem o termo que usei aqui) eu não sei engolir sapos, não sei esperar a hora certa e o lugar para intervir numa situação, não sei usar o conhecimento necessário para as situações que se apresentam.

Você deve agora estar se perguntando como me sinto diante disso, não é?

Uma fracassada, capaz de discutir física quântica com um PHd no assunto e não saber se “segurar” para não falar demais. Sinto-me ridícula diante de uma sociedade que prefere gastar cem reais numa roupa da moda, do que oito reais numa revista de filosofia. Sinto-me fora de sintonia no meio social em que vivo, me sinto isolada, excluída.

Tenho consciência que meu conhecimento não é o culpado, e nem as pessoas que me excluem, mas sim a maneira como eu utilizo todo esse conhecimento que adquiri. Tenho que mudar de alguma forma (risos.... tenho que mudar tanta coisa...). Talvez se meu médico estivesse do meu lado vinte quatro horas eu conseguisse me conter ( quem sabe um boneco dele, esquece estou já viajando demais), mas alguma coisa deve ter para eu fazer e me conter mais.

Prometi ao meu médico que iria escrever ao invés de falar e debater. Agora me agüentem será uma enxurrada de textos, e eu já gosto pouco de escrever.

Até que estou me sentindo bem após escrever três textos, comentar em dois blogs, e exteriorizar meu sentimento.

2 comentários:

Bebete Indarte disse...

Gostei desse seu texto, achei bem maduro.
Até parece que todo bipolar é incompreendido.
E que todo bipolar com o tratamento com estabilizadores de humor se parecem.
Também sou crítica por natureza, mas agora estou de "férias", assistindo tudo de camarote.

andreza disse...

Também sou descriminada pelo fato de fazer uso de estabilizadores e principalmente pela mudança de humor constante.
Mas pouco me importo pelo que os outros falam ou pensam ,eu sou assim,se criticam ou não,pra mim não faz diferença,mas reconheço a discriminação das pessoas para com um bipolar.
Principalmente qdo se diz respeito a abandonar tudo o que começo e que de início arrebenta,depois paro...